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Textos Sul-Americanos

Programa Ibermedia e indústria cinematográfica

Bruno Peron, 22 de janeiro de 2012

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Que desafio a avalanche do cinema estadunidense estabelece para a minguante produção fílmica latino-americana: resistir à influência massacradora do “mainstream” dos estúdios de Hollywood, que constrolam ao menos as instâncias de produção e circulação de películas até que cheguem às grandes salas de exibição, ou elaborar estratégias que melhorem a competitividade da cinematografia de nossa região visando à inserção no circuito internacional?

É neste contexto de disputas industriais no setor cultural que surgiu o Programa Ibermedia, que incentiva a coprodução de filmes entre países ibéricos (Espanha e Portugal) e latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Chile, Equador, Guatemala, México, Panamá, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela) para cinema e televisão mediante empréstimos para a realização de projetos e a criação de um “espaço audiovisual ibero-americano”.

Deste modo, as pretensões do Programa multilateral transcendem o nível da “cooperação”, que costuma caracterizar a maioria dos acordos internacionais, ao sugerir a “coprodução”. Supõe-se que o empenho das partes é maior quando desenvolvam projetos em cumplicidade do que a mera troca de experiências e outras tantas palavras.

O Programa Ibermedia resulta de decisões da Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo, realizada em Margarita, Venezuela, em novembro de 1997, embora a proposta tenha sido apresentada na Cúpula de 1995 em Bariloche, Argentina. O Programa vincula-se à categoria de “política audiovisual” da Conferência de Autoridades Cinematográficas Ibero-americanas (CACI). O “Comitê Intergovernamental” do Programa, que reúne especialistas da área de cinema, sustenta quatro linhas de atuação: 1) Apoio à coprodução de filmes ibero-americanos; 2) Apoio à distribuição e acesso a mercados; 3) Desenvolvimento de projetos de cinema e televisão ibero-americanos; e 4) Apoio a programas de formação de profissionais da indústria audiovisual ibero-americana (fonte: http://www.ancine.gov.br/fomento/ibermedia).

Publicam-se dois editais anuais para o financiamento de projetos via Programa Ibermedia, cujo incentivo financeiro provém majoritariamente das contribuições dos Estados-membros e de parceria com as agências, conselhos e instituições que administram o audiovisual em cada país integrante. O Brasil, por exemplo, dispõe da Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e Secretaria de Audiovisual / Ministério da Cultura (MinC).

Além da transferência de ênfase de “cooperação” a “coprodução”, o Programa Ibermedia também possui políticas para as etapas de distribuição e recepção de filmes, como consta numa das quatro linhas de atuação. A preocupação com a completude do processo (produção, distribuição e recepção) se deve à insuficiência de apenas investir na criação e realização de cinematografia latino-americana se não houver estratégias para fazê-la circular e ser vista.

Vale mencionar que o cinema mais exitoso de nossa época, o dos Estados Unidos, é controlado por leis de mercado, enquanto as políticas de Estado e incentivos fiscais impulsionam o da América Latina para que sobreviva. Ainda que tenham sido as mais promissoras, as indústrias cinematográficas de Argentina, Brasil e México teimam em resistir à hegemonia da estadunidense como se a produção latino-americana estivesse numa posição de subalternidade em vez de rever as estratégias de inserção que permitiriam seu êxito.

O Programa Ibermedia e as instituições envolvidas revigoram as políticas culturais que darão chance a que a América Latina desenvolva sua indústria cinematográfica na plenitude das etapas e supere o momento árduo de luta pela sobrevivência.

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