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Textos Sul-Americanos

Mensagens e ousadias papais

Bruno Peron, 28 de junho de 2015

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As mensagens recentes do papa Francisco sobre economia e política pegam muitos espectadores e leitores de surpresa. Poucos imaginariam que algum líder religioso como ele se levantaria de maneira categórica e influente contra desigualdades e injustiças que resultam em ganhos privados e danos comuns. Somente ele e outros de reputação moral alta exercem tal papel.

Foi assim que, em 18 de junho de 2015, o papa Francisco quebrou o silêncio em sua conta no Twitter e pôs o mundo a refletir. Ele declarou que “a Terra, nosso lar, começa a parecer-se ainda mais com uma pilha imensa de imundície”. Essas palavras tiveram impacto e, alguns momentos depois, jornalistas e comentaristas discutiam-nas nos meios de comunicação.

As mensagens do papa Francisco em redes sociais coincidem com a publicação da Encíclica mais atual em que o Vaticano questiona o descontrole do capitalismo e a voracidade das relações humanas com a natureza. A humanidade, agrego, não pode manter esse padrão de exploração no planeta Terra de uma única espécie que se vê no direito de escravizar as demais e exaurir insustentavelmente os recursos naturais.

Por isso, a preocupação maior do papa Francisco é com a mudança climática, a obsessão com crescimento econômico e o desregramento das relações humanas. Ele é enfático sobre os problemas de consumismo, desperdício e poluição. Também, suas mensagens buscam soluções às pessoas e aos países pobres, que são os mais afetados por tais modelos.

Nesse cenário, é impactante nas relações internacionais a crítica tão veemente e influente do papa aos desdobramentos econômicos e políticos que têm deixado o mundo devasso como está. O papa faz ainda um apelo a cidadãos, corporações e governos do mundo todo para que mudem os modelos de produção e consumo que maculam o planeta.

Apesar de minhas ressalvas com o catolicismo, entendo que as intervenções do papa Francisco além do campo religioso são bem-vindas e construtivas nesse mundo agonizante. Poucas vozes contestariam os problemas globais como as de líderes religiosos e de pessoas que arriscam suas carreiras e vidas para enfrentar os poderes nebulosos que tomam conta do planeta.

Urge que encontremos soluções para três problemas globais: o aumento populacional e a necessidade de sobrevivência de um planeta saturado; a carência de instrução que torna a ação humana inconsequente; e a falta de acompanhamento moral dos avanços científicos e tecnológicos.

Toda vez que se discutem problemas como consumismo e mudança climática, há preocupação com a falta de cooperação de países mais adiantados em tecnologia (Estados Unidos) e superpopulosos (China). Aqueles que mais precisam fazer pelo planeta são os que menos fazem. Recusam-se a assinar acordos para redução de gases poluentes, e ainda criticam aqueles que pregam um mundo mais pacífico e sustentável.

Ainda, a reação de advogados norte-americanos influentes e de Jeb Bush – ex-governador da Flórida pelo Partido Republicano – ao papa Francisco foi incisiva. Eles criticaram a opinião do papa sobre assuntos não-religiosos. Sequer se pode dizer que o papa intervém. Ele apenas dá sua opinião. No entanto, uma vez mais o clã dos Bush resvalou em seus conhecimentos políticos, já que o Vaticano é um Estado encravado em Roma. Portanto, a função do papa como líder religioso e político é histórica e constante.

Por fim, pergunto quem mais além do papa Francisco daria a cara para bater nesse mundo de omissões medrosas e atitudes genuflexas. Por essas razões, temos que pensar em como emparelhar a moral com os saltos científicos e tecnológicos que temos dado. Para isso, prefiro ouvir um líder religioso a depositar esperança no presidente dos Estados Unidos.

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