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Textos Sul-Americanos

Altos e baixos do capitalismo

Bruno Peron, 31 de janeiro de 2016

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É notório que o capitalismo tem tido altos e baixos no que tange à sua capacidade de sustentação. Não é sem motivo que alternativas surgiram para ao menos contestá-lo, ou então fomentar outros rumos de desenvolvimento. Guerras promoveram-se para expandir o capitalismo, enquanto o bloco socialista estimulou durante décadas o confronto indireto da “guerra fria”.

Antes desta fase de bipolaridade, ou seja entre Estados Unidos e União Soviética, a pugna essencialmente europeia chamada por historiadores de 2a Guerra “Mundial” levou o mundo ao reordenamento de forças. Nos anos derradeiros desta guerra, os países da Europa ocidental estavam enfraquecidos e alguns deles, arrasados. Geograficamente distante, mas estrategicamente triunfante, Estados Unidos emergiu como potência global.

Tal ascensão não ocorreu sem que Estados Unidos dialogasse com a Europa ocidental sobre como esses países imaginavam o mundo nas décadas vindouras. A preocupação maior era como preservar seu modo de vida (desde a prática de comércio até a interação social) e convencer o mundo de que sua sustentação cultural, econômica e política é a melhor.

Preservação na abundância, contudo, periclita menos que a que se faz na escassez; assim, o segundo caminho patenteia a dificuldade de países como Irã de defender seu modo de vida e o registro histórico de suas tradições culturais. Esse choque entre civilizações – como Samuel Huntington teoriza – opõe valores relacionados à orientação comercial e aos regimes políticos.

Tendo em vista essas relações que se tornaram não há muito tempo internacionais, menciono o exemplo do sistema de Bretton Woods como uma tentativa de injetar adrenalina no capitalismo. Em julho de 1944, pouco mais de quarenta países – Brasil incluso – firmaram um acordo na cidade norte-americana de Bretton Woods, estado de New Hampshire, durante a Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas.

O objetivo fundamental desse acordo entre nações ocidentais em julho de 1944 foi dar rumos novos à política econômica mundial e reconstruir os pilares do capitalismo. Portanto, esses quarenta e tantos países arquitetaram um plano de manutenção e financiamento do capitalismo. Os fatores que mais os motivaram a partir de então foram a crise norte-americana de 1929 (a Grande Depressão) e os efeitos devastadores da 2a Guerra “Mundial”.

Assim, é possível juntar as peças de por que há guerras por sobrevivência e também por expansão. O sistema de Bretton Woods reforçou o fluxo livre de comércio e capitais, ou seja, expressões do ideário liberal. Além disso, seus mecanismos favoreceram um país – Estados Unidos – mais que qualquer outro e deu impulso ao capitalismo para que se expandisse no mundo.

Basicamente, as transações comerciais internacionais tomariam o dólar dos Estados Unidos como moeda forte ou moeda de troca. Outro acordo foi que 35 dólares equivaleriam a uma “onça troy” de ouro, ou seja, 31 gramas do metal precioso, o que durou até 1971. Enquanto o valor do dólar estaria fixado a esta quantia de ouro, a taxa de câmbio das moedas dos países signatários teria que vincular-se ao dólar com variação de apenas 1%.

Essa política econômica do sistema de Bretton Woods evidencia o interesse de dezenas de países em manter o capitalismo a despeito dos riscos de subordinação aos Estados Unidos. Naquele momento, houve a criação de duas instituições financeiras que vigoram até hoje: o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. No início, elas tiveram a finalidade de estabilizar moedas e reconstruir países arruinados na 2a Guerra “Mundial”.

O sistema de Bretton Woods tem passado por altos e baixos: a dificuldade de manter a paridade de outras moedas com o dólar, a desvinculação do dólar em relação ao ouro, propostas de que outras moedas substituam o dólar. Contudo, mudanças sistêmicas internacionais não se realizam de supetão.

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