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Textos Sul-Americanos

Hábitos e plataformas de leitura

Bruno Peron, 18 de março de 2017

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As pessoas leem cada vez mais; porém, houve mudança nos hábitos e nas plataformas de leitura. Livros têm sido substituídos por manuais de instrução, panfletos publicitários (promoções de supermercado) e telas de aparelhos eletrônicos (computadores, celulares, tábletes). A alfabetização e a habilidade linguística (em português e em idiomas estrangeiros) alcançam o máximo de importância nesta era da comunicação e da informação. É nesse contexto que encorajo a reinvenção da leitura sem que o leitor abandone a compra de livros.

É fato que livrarias e papelarias têm aumento considerável de suas vendas em início de período letivo. Os estudantes que sentem mais no bolso são os que dependem de livros técnicos e universitários, que chegam a custar centenas de reais se forem novos. Estudantes de Direito e Medicina sabem bem a que me refiro. Por isso, a aquisição de livros novos (especialmente os que são pesadamente ilustrados) está cada vez menos viável por estudantes de renda baixa. É necessário lembrar que, neste momento no Brasil, só não se reduzem despesas também com alimentação porque faltam espaços nos cemitérios.

Dado que a cultura no Brasil evoca-se muitas vezes com empurrões do governo, tivemos alguns avanços em incentivos fiscais nos valores de livros e descontos na postagem (considerada registro “módico”). No entanto, a política que tem recuperado o setor livreiro é a corporativa através da inovação e da criatividade. Foi assim que o empreendedor André Garcia fundou a Estante Virtual em outubro de 2005, cuja rede cresceu tanto a ponto de hoje divulgar livros de 2.600 sebos com acervo de mais de 15 milhões de exemplares.

O princípio de qual este empreendimento parte é o seguinte: a dispersão de sebos em lojas físicas pelas cidades do Brasil dificultava a consulta de livros pelos clientes e tornava o processo de aquisição demorado. Muitos sebos eram, ainda, desconhecidos e não organizavam adequadamente seu acervo. Materiais impressos ficavam amiúde ocultos em estantes escuras de cidades pequenas devido à falta de organização e digitalização do acervo. Ficava-se à espera do cliente oportuno que por sorte encontrasse o livro de que precisava.

Numa situação diferente, menciono hoje métodos de divulgação e consulta de materiais e sebos muito mais eficientes em portais da Internet. O cliente-leitor economiza tempo, poupa dinheiro, recebe o livro em casa e tem acesso a maior variedade de conteúdos. A economia na compra de livros chega a ser grande (mais de 300%) para os que buscam livros técnicos e universitários pela Internet, por exemplo os de Direito, Economia e Medicina. Essas comodidades devem-se à criação de um ambiente virtual de negócios no qual há competitividade entre sebos que anunciam os mesmos títulos e venda de livros usados em estados variados de conservação.

Uma visita ao portal da Estante Virtual incentiva nosso espírito de leitor e reconsidera a leitura como uma atividade prazerosa. Gera-se também renda a livreiros, que, contudo, fizeram um abaixo-assinado alguns anos atrás contra mudanças nas condições e tarifas de vendas impostas pela Estante Virtual. Esta empresa trouxe inovações no mercado brasileiro de livros, porém há também outros portais com modelo similar de negócios como Livronauta e Sebos Online.

Ao contrário do que se desconfiava, o advento do portal Amazon no Brasil reinventa o gosto pela leitura em nosso país. Ler massageia nossas faculdades mentais, amplia nosso conhecimento e melhora nossas habilidades linguísticas. Nossa comunicação fica mais clara e eficiente. Pode ser que o formato em que se lê através de telas e monitores prevaleça sobre o papel, mas não tirará o gosto pelo livro impresso de boa qualidade, educador e enaltecedor do ser humano.

Portanto, estimado leitor, compre livros e esforce-se para ler pelo menos algumas páginas por dia, não importa se forem novos ou usados. Eleve seu nível cultural como os seres bem-educados fazem diariamente. Não tenha receio de aprender e de incentivar outras pessoas aos caminhos da instrução e do conhecimento.

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