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Textos Sul-Americanos

Laborando com a robótica

Bruno Peron, 29 de março de 2017

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É verdade que a robótica prejudica o mundo do trabalho? Há receio de que avanços tecnológicos e a automação industrial oferecem riscos de extinção de postos de trabalho. Muitos críticos têm-se posicionado contra o uso de robôs e de certos recursos tecnológicos em suas atividades laborais devido ao temor de desemprego. Porém, proponho aqui uma opinião mais branda sobre esse assunto a fim de amenizar preocupações agoureiras e enaltecer o progresso tecnológico que nos tem trazido tantos benefícios nestas últimas décadas.

A humanidade por vezes tarda a entrar no ritmo das tecnologias que ela mesma inventa. Assim ela cria e vê no que dá. Ouço de várias pessoas que o WhatsApp facilitou-lhes a vida, inclusive na agilidade e na comunicação para fins de negócio e trabalho. No entanto, se dependêssemos das operadoras de telefonia (que perderam receitas com o uso massivo do aplicativo) e da “Justiça” brasileira (que bloqueou algumas vezes os servidores), o serviço estaria proibido no Brasil. É preocupante neste país que dinossauros laborais posicionem suas pranchas no sentido contrário da onda. Taxistas, por exemplo, estes os mais paleolíticos, fazem acordo com governos municipais para proibir os serviços do Uber; algo parecido conduzem funcionários públicos com suas greves frequentes para persuadir o governo de que ganham pouco e trabalham muito, já que são imunes à realidade do mercado brasileiro ou fingem não entender a nossa situação.

Há um debate amplo sobre os efeitos de novas tecnologias e o uso de robôs no mercado laboral. A propósito, indústrias (inclusive no Brasil) já praticam a automação há muito tempo, como no processo de solda em caminhões na fábrica da Mercedes Benz em São Bernardo do Campo. A presença da robótica tem aumentado em segmentos diversos: robôs usam aspirador de pó, dirigem veículos, recepcionam visitantes, fazem check-in antes do embarque num voo e recebem pagamento em supermercados. O recurso de self-checkout em supermercados na Inglaterra é exemplar de como a conferência de códigos de barra de produtos e a finalização de uma compra prescindem de um caixa humano. Muitos destes exemplos, em realidade, não chegam a caracterizar uso de robô senão algum avanço tecnológico que interfere em relações tradicionais de trabalho para trazer benefícios à população. Há mais relação com automação que inteligência artificial.

O físico inglês Stephen Hawking (esse que fala dos buracos negros e da expansão do universo) preocupa-se muito com as implicações da inteligência artificial para a humanidade. Ele é receoso de que tal progresso científico que visa à criação de robôs inteligentes oferece risco à vida na Terra. Hawking crê que esses seres robotizados poderiam subjugar a espécie humana num conflito pretenso de interesses, mas este é um vestígio de seu ateísmo de ficção científica. É fato que robôs e máquinas têm exercido muitas funções cotidianas, algumas simples e outras mais complexas. Nem todos são androides.

A opinião de especialistas varia em que robôs poderão algum dia substituir entre 5% e 50% dos empregos. Decerto, a robótica no universo do trabalho é um tema passível de debate extenso e acalorado. Há que adaptar-se a mudanças, como os taxistas devem fazer em relação ao Uber. O propósito é o de garantir o bem geral da população e o progresso da ciência. Entendo que a automação e a robotização de atividades laborais levam a uma recomposição do perfil de atividades profissionais que requerem a participação exclusiva de humanos; há, assim, demandas alternativas de funções. Portanto esses processos não oferecem risco ao mundo do trabalho, mas sinalizam adaptações. É proveitoso que a humanidade labore com a robótica, em vez de resistir a mudanças e progressos.

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