Retorne ao site institucional brunoperon.com.br

Arestas do Brasil / Edges of Brazil

Banalização do tanto-faz

Bruno Peron, 31 de março de 2017

  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Google+
  • Compartilhe no LinkedIn

A corda bamba pode estourar de tanto que se puxa de um lado e de outro com forças opostas, opiniões contrárias e vontades antagônicas. A forma como se manipula essa corda pode ser um medidor de maturidade democrática. Desajustes ideológicos ameaçam a integridade de instituições políticas no Brasil, em que o debate entre mais Estado e menos Estado atinge a maior temperatura de todos os tempos. Ainda, é frequente que a defesa de pontos de vista faça-se com a anulação ou desqualificação de quem pensa diferente. Fulano gosta da cor vermelha, mas condena quem gostar de azul como egoísta e “coxinha”.

Nesse momento tão delicado da evolução histórica do Brasil, há necessidade de suavizar o diálogo entre aqueles que divergem em suas opiniões. Caso contrário, o país assumiria o risco de colapso de suas instituições políticas, já que o descrédito nelas já é alto. Aqui vemos juízes brigando com deputados, procuradores discutindo com senadores. Brasileiros devem elevar seu nível de instrução a fim de decidir coletivamente o que é melhor para o país. Essa postura cívica se adota com a disposição a dialogar, estudar e ouvir. A política bate às nossas portas com mais intensidade que em qualquer outro momento e nos convida à inclusão enquanto cidadãos. Temos que assumir posturas.

O antagonismo entre mais ou menos Estado inquieta o pensamento de brasileiros de idades amplas: desde aquele jovem que presta um concurso público até o idoso que não sabe mais com que idade se aposentará. Envolvem-se também os conflitos de interesse que ocorrem no poder legislativo, de onde veio a decisão de depor a legítima presidente Dilma Rousseff a favor de uma equipe ilídima de governo ideologicamente bem diferente. Na política, tudo é possível para a consecução de objetivos.

O que não é sadio no andamento da carruagem brasileira é o excesso de responsabilidades financeiras do Estado. Minha crítica principal direciona-se à casta de servidores públicos que se sentem credores vitalícios de favores do Estado, independentemente de qual seja a relevância de seu papel social. Eles querem mamar e não se preocupam nem um pouco com o inchaço do Estado, que deverá aumentar suas fontes arrecadadoras para sustentar os que vivem às custas do suor dos trabalhadores brasileiros. O aprendizado no Brasil é o de mamar dinheiro público com estabilidade de emprego ou fazer que “colaboradores” de um negócio privado suem para que o patrão possa viver dignamente. Sem novidades no método, o Estado tributa cada gota de suor de quem realmente trabalha, e decidiu recentemente taxar para fins previdenciários até a gorjeta de garçons (o tal dos “dez por cento” das contas de restaurantes).

Caro leitor, minha opinião é favorável à redução do tamanho do Estado e das despesas públicas no Brasil. Somente assim o salário de proletários (aqueles que vendem sua mão-de-obra) subiria de R$1300 mensais para R$2000. E cada um teria a liberdade de escolher em que gastar seu dinheiro. Hoje o Estado abocanha quase metade do salário de todo trabalhador honesto e ilude-o ao justificar tal cobrança elevada pelo retorno em serviços públicos. Quer dizer: doentes abandonados em corredores de hospitais, ruas e avenidas esburacadas, poluição sonora e visual nas cidades, aumento de insegurança e violência.

Com tudo isso, a tolerância aos que pensam diferente é um ponto de partida enobrecedor. Logo, é necessário inteirar-se melhor dos acontecimentos e das ideias que têm redesenhado o Brasil. Minha sugestão é reduzir as despesas do Estado onde não há clareza de que os recursos estejam sendo utilizados sem desvios nem desperdícios. É urgente incentivar a criatividade de brasileiros. Não vejo, para esse fim, solução melhor que a iniciativa livre e privada, sem a censura e a determinação do Estado. É muito mais produtivo deixar que pessoas criem e inventem seus negócios, como países mais adiantados fazem.

A banalização do tanto-faz sufoca nosso potencial de progresso.

Desenvolvimento: chiavegatti.com.br