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Arestas do Brasil / Edges of Brazil

Impérios de foras-da-lei

Bruno Peron, 17 de abril de 2017

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O mundo assiste a episódios tóxicos de desentendimento entre os povos. Os maiores responsáveis por esse momento de atrito são aqueles mesmos países cujos líderes se fingem difusores da liberdade e da participação de todos. Na verdade, tudo que fazem é garantir espaços de influência no mundo e mercados consumidores para suas indústrias. Hoje, testemunhamos a ampliação do capitalismo em nível global como as grandes navegações e a revolução industrial europeias apenas ambicionavam em sua cartografia limitada.

Dessa forma, a evolução do sistema econômico capitalista atualmente resulta em fenômenos característicos: no risco de perda de empregos pela robótica, na altercação entre empreendedores do Uber (e de outros aplicativos, como Cabify e EasyGo) e taxistas convencionais, na padronização cultural de shopping centres, e nas guerras que países imperialistas promovem alhures.

No entanto, o que me chama mais atenção neste momento é a disposição belicosa dos Estados Unidos para assegurar seus interesses no mundo, independentemente das consequências. Seus estadistas criam inimigos (o Estado islâmico, líderes como Bashar al-Assad), contam histórias inverídicas nos meios de comunicação, difamam outras formas de ver o mundo, e – o que é mais triste – atacam e invadem como foras-da-lei outros países soberanos.

A imprensa acendeu um holofote sobre a possibilidade de uma guerra na península coreana. O motivo é patente: a Coreia do Norte não compactua com o modelo econômico e político do Ocidente ao qual a Coreia do Sul é filiada. Pyongyang e Seul respectivamente seguem caminhos nimiamente divergentes em termos de abertura comercial e regime político. Como se não bastasse, o mandatário norte-coreano faz demonstrações pacíficas de poderio em defesa através de testes com armamentos em áreas inabitadas de seu país.

Alguns poderiam interpretar essas provas como uma estratégia de dissuasão, que visa a garantir a paz na região; outros, porém, veriam esses testes como uma ameaça a seus interesses no leste asiático. O posicionamento dos Estados Unidos é claro nesta direção, já que denigrem constantemente a Coreia do Norte e decidiram deslocar um porta-aviões às redondezas da península coreana. Não podemos mais aceitar que países com mais recursos bélicos tomem conta do mundo como propriedade particular. Há regras de direito internacional a seguir e as Nações Unidas compõem o foro mais fidedigno das relações entre países.

Os Estados Unidos comportam-se como foras-da-lei teimosos e atrevidos, violam acordos internacionais realizados durante reuniões nas Nações Unidas, divulgam inverdades sobre grupos terroristas e países não-democráticos, invadem países e provocam guerras e muita tristeza. A Síria tem sido o cenário mais recente da perversão do Ocidente, do expansionismo ganancioso do capitalismo e do fundamentalismo da democracia. Há dispersão do povo sírio em países vizinhos e até os que se aventuram na busca de vida nova na Europa, mas não sem enfrentar a resistência do arame farpado e gás lacrimogêneo. Uma boa ideia se faz aceite pela brandura de seus efeitos e não pelo terror de suas imposições.

A essência cultural em muitos países infelizmente é exclusiva: vitória ou derrota. O Brasil, nessa história contemporânea, tem perdido sua oportunidade de ser eticamente mais visível, e de mostrar que não há perdedores porque o futuro do planeta é a solidariedade. Perde-a porque nós brasileiros ainda estamos na fase de entregar ao diabo aqueles que esgotaram as energias de nossos trabalhadores e que se fazem conhecer pelas delações das corrupções. Leitor e benfeitor, como é o mundo para o qual você gostaria de despertar amanhã?

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