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Arestas do Brasil / Edges of Brazil

Ignorância em sua plenitude

Bruno Peron, 28 de abril de 2017

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É verdade que brasileiros são seres criativos e galhofeiros. Em vários momentos, salientei que estes são traços comuns de nosso povo. Há várias provas: a abundância de sátiras políticas e vídeos graciosos que circulam nas redes sociais, a habilidade de rir de nossa própria miséria e o ritmo de festa que grassa no país durante o ano todo. A euforia da criatividade e da zombaria, contudo, esbarra noutra característica do brasileiro, a ignorância.

Brasileiros costumam saber menos do que aparentam, usam aquilo que conhecem para enganar e oprimir os outros ou até mesmo para impor sua superioridade àqueles que sabem menos, e aproveitam qualquer oportunidade de enriquecimento fácil em prejuízo dos demais. Além disso, brasileiros têm dificuldade de se instruir, talvez porque não deem valor aos benefícios da educação. Não entendem educação como investimento para a vida e para o país senão como uma obrigação fastidiosa.

Daí que nomear o Brasil uma “Pátria Educadora”, como políticos do Partido dos Trabalhadores fizeram, é um disparate e um despropósito. Pessoas que ganham a vida mamando nas tetas do governo –ainda que alguns políticos sejam bem intencionados –dificilmente mudarão o modo de operação da Máquina pública e da sociedade. Vejamos o caso da Câmara de Vereadores da cidade do Santo Paulo, que de sagrada não tem nada: copeiros, engraxates, manobristas de estacionamento e preparadores de café ganham mais de dez mil reais mensais. Este é um exemplo de ignorantes que abusam da ignorância de brasileiros.

Por isso, leitor, há que encarar a instrução como libertadora e regeneradora. Aprenda e entenda quanto puder. Gradualmente, o Brasil deverá assistir ao fim do funcionalismo público, já que é a sociedade que tem servido aos servidores públicos e não o contrário como deveria ser. Eles são uma despesa aberrante e desnecessária, deturpadora do desenvolvimento brasileiro. Logo, o trabalhador e empreendedor serão melhor remunerados pelo resultado de seu próprio suor. Estes não terão que sustentar as lombrigas egoístas da Máquina pública do Brasil. No lugar, formar-se-iam conselhos de gestão que reduzam radicalmente o tamanho do Estado a fim de que os serviços públicos sejam mais eficientes. Haveria inclusive incentivo a uma revolução na educação, que libertaria brasileiros de seu achismo, oportunismo e rudeza.

O mundo está mais competitivo. A ascensão de países como China, Índia e Tailândia tem sido possível –ainda que tenha contradições – num mercado global em que se disputa o melhor preço e qualidade de produtos. Porém, o Brasil aparece ao mundo como reduto de políticos corruptos (tamanha é a visibilidade global da Operação Lava Jato!) e exportador de matéria-prima barata e pouco transformada (açúcar, soja, boi). O governo, em vez de fomentar a educação básica e o gosto pela ciência nas crianças e adolescentes, injeta muito dinheiro em poucos pesquisadores caros de universidades públicas que não trazem retorno e nas empresas agropecuaristas que arruínam a ecologia do país.

A cultura do trabalho é pouco desenvolvida no Brasil porque vem, em parte, da pobreza de instrução oferecida a suas crianças e jovens. Há que estimular a criatividade e a graça de brasileiros em relação com a educação para formar cidadãos e seres preparados para um mercado competitivo. Caso contrário, teremos que condescender com esse choque de mundos que presenciamos diariamente nos espaços públicos entre o instruído e o ignorante.

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