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Arestas do Brasil / Edges of Brazil

Educação e orientação cívica

Bruno Peron, 25 de fevereiro de 2018

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É notável que o Brasil enfrenta desafios cumulativos no âmbito da educação. Algumas situações antigas (mas nem por isso obsoletas) perduram, enquanto outras surgem na agenda das políticas educativas. O aumento populacional desordenado faz as cidades crescerem sem o devido acompanhamento infraestrutural (asfalto, comunicação, esgoto, salubridade, áreas verdes). E o que é mais preocupante: tomadores de decisão não fizeram ainda uma revisão sistemática da maneira de educar este povo desesperadoramente incivilizado.

Alguns seres bem-intencionados contribuem com suas ideias pertinentes e revolucionárias. Expressam-se por vezes de maneira acanhada e discreta. Uma delas estaria a favor da regeneração educativa da juventude. Tanto dinheiro chega às mãos da pós-graduação e de pesquisadores caros em universidades públicas (que dialogam constantemente com seus equivalentes estadunidenses e europeus), mas muito menos recursos acolhem a educação básica em sua agonia e desprezo. É como se eles não falassem a mesma língua, nem vivessem no mesmo mundo. Educam-se melhor os bem-educados e pior os mal-educados. Vemos na distribuição dos recursos da educação um desequilíbrio absurdo.

Este fenômeno é tão peculiar no Brasil que merece atenção. Os mal-educados, que se supunha fossem minoritários, tornam-se maiorias desnorteadas e desnorteadoras. São aqueles que seguem o “cada um por si”, são corrompidos e corrompem, dirigem mal, exploram os outros impiamente, competem acima de qualquer valor solidário, tiram vantagens fraudulentas, enganam e iludem, não se interessam em aprender e conhecer porque sempre fingem estar por dentro de tudo, são ociosos e cuidam mais da vida alheia que da própria.

Se não fosse a cultura da punição que se alastra em nossas políticas públicas, brasileiros seriam selvagens em desespero pela sobrevivência. É um infortúnio, por um lado, que governantes deixem de instruir a população a como viver em sociedade; e, por outro, que brasileiros confiemos cada vez menos em nossos representantes. Uma consulta rápida às notícias nos traz a informação de que instituições brasileiras digladiam-se, políticos e servidores corrompem-se, e a população crê em saídas autoritárias e duvidosas (Jair Bolsonaro) para essa crise.

É urgente que, diante do contratempo que a educação atravessa no Brasil, aqueles que ainda acreditem em mudança juntem-se para refazer o contrato social que regula o Brasil. Pensemos no tipo de pessoas com quem gostaríamos de conviver: na vizinhança (fofoqueiros ou ocupados?), no trânsito (motoqueiros ignorantes ou motoristas sensatos?), na calçada (vagabundos ou esforçados?), no comércio (trapaceiros ou honestos?), no trabalho (colegas ou concorrentes?), e em todo lugar (bichos ou cidadãos?). É preciso reduzir o número de ociosos (os marmanjos de calçada) e valorizar o trabalho através da educação.

Fábrica de sonhos? O Brasil continua sendo um país de fábricas: fábricas transnacionais que veem vantagens competitivas de possuir suas filiais aqui; fábricas de humanos que se apinham em condomínios populares; fábricas de veículos velozes e modernos que congestionam nossas ruas estreitas e esburacadas; fábricas de diplomas e certificados que por si só não elevam a competência de brasileiros. Educação não se deveria confundir com certificação.

Queremos que mais cidadãos (em vez de ignorantes que só conhecem a Lei de Gérson) povoem o país. No entanto, há forças que pressionam a favor, mas há outras que induzem contra esse cenário. O maior investimento que se pode ter é no conhecimento, na instrução e na orientação cívica. Enquanto nos Estados Unidos quase todo cidadão tem mentalidade empreendedora e inovadora, no Brasil temos o pensamento de garantir benefícios e vantagens trabalhistas em troca de nossa mão-de-obra. Hoje desconhecemos as leis que a elite criou; no cenário ideal, a lei será apenas formalidade do comportamento ético de todos.

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