Retorne ao site institucional brunoperon.com.br

Arestas do Brasil / Edges of Brazil

Cacoete de malandros

Bruno Peron, 11 de junho de 2018

  • Compartilhe no Twitter
  • Compartilhe no Facebook
  • Compartilhe no Google+
  • Compartilhe no LinkedIn

Leitor, fique por dentro! Presenciamos um conflito social no Brasil que nos faz questionar a legitimidade desse governo em garantir a ordem e o desenvolvimento do nosso país. Já se falou de “colonialismo interno”, inchaço da máquina pública, manutenção de privilégios, país a caminho do socialismo. Uma coisa é certa: vivemos uma época de crise institucional no Brasil, ausência de líderes e referências confiáveis, e convulsão social.

Comento cada tópico. Passamos por crises institucionais na medida em que os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) não se complementam mais; em vez disso, digladiam-se e dão sinais inequívocos de apadrinhamento, corrupção e ineficiência. Um juiz prende um corrupto; depois de alguns dias, um juiz de outro tribunal o solta. E fica essa demonstração de quem tem mais poder para favorecer interesses particulares, e de ir contra a proteção do bem comum. O “jeitinho” não é apenas um cacoete de malandros nas horas de lazer; passa a ser um modo de operação institucionalizado no país (comissão para compradores, propina em órgãos públicos, parentes no poder).

Tenhamos consciência do que significa manter um governo colossal, ineficiente e estancado; ou de que metade do nosso tempo de trabalho financia através de impostos esse sistema que não funciona. Nessa esteira de ineficiência da administração pública, políticos conseguem ainda garantir cargos, negócios e pensões para seus familiares. Não tenhamos dúvida de que a política impacta gravemente na economia e na organização social, com os níveis de desemprego e violência aumentando incessantemente.

Aproveito para assinalar que estamos carentes de líderes e referências no Brasil. Temos um presidente golpista, ilegítimo e inapto no poder: Michel Temer. Acadêmicos e escritores estão num silêncio mórbido, como se divididos entre o receio da opinião e a falta de esperança. Chefes religiosos turvam-se em ganância e hipocrisia sem limites, escândalos de pedofilia e de lavagem de dinheiro.

Nossa sociedade perde cabeças pensantes pelas que estão enterradas na futilidade dos televisores. Menciono ainda a fuga de cérebros a países que realmente promovem criatividade e inovação. Deste modo, em quem poderíamos depositar confiança: em políticos que querem implantar o socialismo? em seres que se locupletam com recursos públicos? em personagens que usariam lança-chamas contra rebeldes? em seres carismáticos que se valem do nome de Jesus para divulgar ideias disparatadas?

Sentimos a angústia do vazio de liderança. E é essa falta de sentimento, de emoção, de propósito que deixa a sociedade brasileira convulsionada. É cada vez maior o número de pessoas que me dizem que abandonarão o país para que possam ter o conforto, a educação e a segurança que o Brasil lhes nega, e que o menor salário já lhes garantiria lá fora. Eu havia escutado essa mesma história de outros colegas latino-americanos, mas me choca como o tal do “gigante” da América do Sul tem repelido seus cidadãos.

É difícil entender por que o governo brasileiro labora tanto contra seu povo e a favor de seus burocratas e privilégios. É capaz de explorar e humilhar seu próprio povo para garantir uma casta de funcionários públicos corruptos e ineficientes, que não trazem melhorias para o país. As respostas populares a essa maneira de administrar geram mal-estar social, desconfiança, ignorância, competição desonesta, violência sem limite, e a feiura geral que caracteriza nossas cidades (paisagens cinzentas, construções inacabadas, calçadas quebradas, buracos nas ruas, fios cortados e pendurados nos postes, iluminação precária, corte de água). Esses são sintomas da convulsão social que se alastra na enfermidade atual do Brasil, uma doença do egoísmo e do cada-um-por-si.

Muito suor já se derramou em vão na construção do Brasil, que hoje se faz por assalariados mal-remunerados. É impreterível uma revisão sistemática do modelo de país que queremos. Alerto contra o risco do Estado dirigista e da burocracia. Podemos começar apertando o tamanho do Estado, incentivando o empreendedorismo nos jovens (em vez da ambição ao serviço público), e garantindo mais liberdade aos trabalhadores para que gastem maior parte de seus salários no que querem e menos em impostos.

Desenvolvimento: chiavegatti.com.br